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Leia de novo: uma marca de dermocosméticos lançou um doce.
A Vichy, marca mundialmente conhecida do segmento da beleza, se juntou à Ticky, marca brasileira voltada à produção de doces, para uma edição especial de pirulito sem açúcar sabor morango.
A Ticky entrou com o produto que já fabricava enquanto a Vichy entrou com a fragrância e o conceito de cuidado labial. Nenhuma das duas precisou explicar o que é um pirulito, nem convencer ninguém a experimentar uma categoria nova. O produto já existia, vendia e tinha lugar garantido no bolso de qualquer pessoa.
O que a parceria fez foi outra coisa: pendurar nesse pirulito um significado que ele não tinha antes: virou o doce que também é autocuidado.
A mesma lógica em outros lugares
Essa não é uma jogada isolada. A Chiquinho fez o mesmo movimento com a Growth: pegou um produto de prateleira de suplemento (que já vendia sozinho) e cruzou com açaí (que também já vendia sozinho), criando uma combinação que nenhuma das duas categorias sustentaria sozinha em termos de significado.
A Jacquemus foi ainda mais longe do lado oposto do espectro. Em vez de cruzar dois produtos, pegou um objeto do cotidiano, o sabonete e o transformou em experiência: um escorregador gigante em formato de barra de sabonete, instalado em espaço público, motivo suficiente para parar, fotografar e compartilhar. Ali, venderam a lembrança de que aquela marca sabe transformar o banal em acontecimento.
Repare no padrão comum às três: ninguém tentou inventar uma categoria do zero. Todas pegaram algo que já existia, já era familiar, já tinha demanda resolvida e usaram a colaboração ou a ativação para atravessar a fronteira do próprio segmento, emprestando significado de um lado para o outro.
Por que isso funciona melhor do que criar algo novo
Lançar uma categoria nova exige educar o mercado, o que custa caro e demora. Pegar uma categoria que já existe e reposicioná-la com o significado de outra marca é mais rápido, barato e gera muito mais conversa, porque o contraste entre "isso não devia estar aqui" e "faz todo sentido" é exatamente o que faz as pessoas pararem para olhar duas vezes.
Dermocosmético e doce não deveriam se encontrar. Suplemento e açaí também não, a rigor. Sabonete e parque de diversões, muito menos. É justamente esse encontro inesperado que vira gancho de atenção e depois vira significado.
E na sua clínica?
A pergunta não é se a sua clínica pode virar uma marca de doce ou montar um escorregador gigante. É outra: existe algo fora do seu segmento, como um produto, uma experiência ou uma parceria, que já tem demanda resolvida em outro lugar e que, cruzado com o cuidado que você oferece, criaria um significado novo?
Antes de copiar a próxima tendência do seu próprio setor, olhe para o lado. Pode ser ali, fora da bolha da saúde, que está a combinação que ninguém mais fez.
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