
Podcast
Clínica Experts

Dr. Diogo Gibbon não começou na odontologia. Começou na veterinária, em Canoas (RS), seguindo o irmão que já cursava odontologia na mesma cidade. Foi nas férias, ajudando o irmão recém-formado no consultório, que pegou gosto pela profissão que não era a sua. Dois anos depois, Diogo teve que contar ao pai, médico, que ia largar o curso de veterinária.
Do Sul para o Mato Grosso
Formado, ele e a namorada (hoje esposa, Mariele) decidiram apostar no Mato Grosso, onde só se ouvia falar de expansão. Chegaram em Lucas do Rio Verde em 1º de abril de 2006, porém o emprego que havia sido prometido já não existia mais.
Nesse momento de desespero, teve que ligar para o pai que bancou o primeiro consultório. Uma semana depois, o mesmo lugar que tinha recusado Diogo o chamou de volta.
"O orgulho de vez em quando pode fazer a gente regredir na vida. E nesse momento eu não tive orgulho nenhum."
Dois anos depois, com um sócio ortodontista, Diogo abriu sua própria clínica, onde alugava uma sala desocupada só para cobrir os custos fixos, como secretária, faxineira e luz, antes mesmo de pensar em lucro.
Recomeçar com uma filha no colo
Em 2014, com o mestrado em andamento e a filha Laura recém-nascida, veio a decisão de deixar tudo o que estava dando certo no Mato Grosso e voltar para Santa Catarina. Vendeu a clínica, saiu da estabilidade, começou do zero de novo, agora com mais responsabilidade.
"A única diferença é que eu conseguia pagar nossas contas. Mas literalmente eu saí de uma vida muito legal e fui pro zero. E não me arrependo nada disso, faria tudo de novo."
Virou professor de pós-graduação em endodontia, dando aula em Rio Branco, Porto Velho, Passo Fundo, Criciúma e Florianópolis. Chegou a atuar em sete clínicas na grande Florianópolis e mais uma em Ascurra, revezando a cada 15 dias.
O reencontro com um amigo de faculdade
Sete anos depois, um amigo de faculdade, Carlos, já dono de clínicas populares, apresentou a Diogo um modelo de negócio diferente: uma franquia de odontologia. Os números o convenceram, mas agora precisava do apoio da esposa. Se ela topasse entrar como sócia na parte administrativa, ele ia em frente.
Ficaram um ano decidindo a cidade e cogitaram até mesmo Rio Grande, no interior gaúcho. Mas foi em uma conversa informal, no escritório de Carlos, que Diogo perguntou sobre Lajeado e definiu a localização.
Consultório próprio ou franquia: o que ninguém conta
Depois de ter vivido os dois modelos, consultório particular do zero numa cidade pequena e franquia estruturada, Diogo é direto sobre o que muda: liberdade por método validado.
No consultório, ele decidia tudo, mas também carregava tudo sozinho. Na franquia, abriu mão de folgar aos sábados, mas ganhou algo que considera o verdadeiro sucesso.
"O dia que eu consegui entender que a clínica não depende mais de mim, que eu não preciso estar aqui para ela viver, para mim esse é o meu sucesso."
O maior erro não é falta de técnica
Perguntado sobre o que mudou no mercado em 20 anos, Diogo fala de precificação.
"Se a tua precificação tá errada, o jeito mais fácil de quebrar é vender mais."
Segundo ele, a maioria dos dentistas cobra o mesmo que o vizinho, sem calcular quanto custa o próprio horário, aluguel, material. O resultado é girar dinheiro sem ganhar nada, e quanto mais cresce, mais aprofunda o buraco.
E para quem tem medo de recomeçar…
Fechando a conversa, Diogo resume os pontos que sustentaram cada recomeço: foco em saber aonde quer chegar, persistência mesmo sem prazo definido, e coragem de estudar o próprio erro em vez de investir cegamente em marketing.
"Brilhar teu olho quando tu fala do que tu faz é ter paixão pelo trabalho."
Confira a entrevista completa no Spotify ou YouTube:
1








