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Clínica Experts

Filha de mãe solteira, Kátia Onofre passou boa parte da infância na casa de amigos, enquanto a mãe emendava dois ou três empregos. Foi numa dessas temporadas, na casa de uma amiga cujo avô era dentista, que a semente foi plantada. Nas férias, brincava de atender pacientes de mentira, com modelos de gesso e fichas em nome de Xuxa Meneguel e Silvio Santos.
"Desde essa época de criança eu já tinha por mim que muito provavelmente eu ia ser dentista, que eu ia lidar com pessoas."
As dificuldades da formação
A odontologia é um dos cursos mais caros do país, e bancar a mensalidade exigiu negociação constante em casa. Kátia trabalhou na biblioteca da própria universidade, numa área que nada tinha a ver com sua formação, e como vendedora na Victor Hugo, loja de bolsas de altíssimo luxo em São Paulo.
Foi ali, vendendo peças que ela mesma jamais teria condições de comprar, que aprendeu a ler pessoas e a entender o que é valor. Terminou o curso com a ajuda de uma bolsa do Santos Futebol Clube.
Ainda na faculdade, atuava como voluntária no pronto-socorro de Praia Grande, atendendo vítimas de acidente em plantões de madrugada, cirurgias de sete, oito horas, sem receber nada por isso.
"A gente fazia aquilo por amor, não ganhava nada. Isso mostrou um pouco da coragem que a gente precisa para fazer as coisas."
Uma cirurgia pessoal que mudou o rumo da carreira
Formada, Kátia seguiu para a reabilitação oral e depois para a implantodontia. Foi um processo de câncer de pele, que exigiu a remoção de parte do próprio lábio, que a levou à estética. Pouco assistida sobre como ficaria o resultado, começou a pesquisar sozinha as soluções possíveis e descobriu que quem estava desenvolvendo essas técnicas eram dentistas. O ano era 2010.
"Já que eu estou passando por uma patologia oncológica, quais são os recursos que eu tenho para que essa sequela fique minimamente traumática?"
Foi o início de uma nova frente que, à época, não tinha nenhuma regulamentação dentro da odontologia.
A luta para transformar harmonização em ciência
Nos anos seguintes, Kátia acompanhou de perto o embate entre a odontologia e os conselhos de classe pela legitimidade da harmonização orofacial. Foi uma das fundadoras científicas da Abrahof (Associação Brasileira de Harmonização Orofacial), num movimento para transformar uma prática contestada em uma especialidade com protocolo, artigos publicados e pós-graduação reconhecida pelo MEC.
"Eu lutei para que isso se transformasse em ciência."
Como vender o que ninguém quer comprar
Se tem um talento que Kátia reconhece como decisivo na própria trajetória, é a venda. Ainda estudante, vendia reabilitações orais complexas, tratamentos que exigiam meses de recuperação e que o paciente evitava encarar.
"Nunca é fácil você ser dentista. Você tem que vender uma coisa que a pessoa não gosta, não quer e nem enxerga. Se você não for muito simpática, então você tem que trabalhar o carisma, a confiança."
Para quem está começando um negócio na área da saúde, o conselho de Kátia é direto: cuidado com sociedades prematuras, desconfiança com mentorias milionárias e gurus de internet, e investimento no próprio negócio antes de investir em fórmulas prontas.
"Pega o seu dinheiro, coloca na sua empresa, em um sistema que ajude você a atender melhor as pessoas.”
Confira a entrevista completa no Spotify ou YouTube:
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