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Todos os anos, o mês de outubro coloca o câncer de mama no centro das conversas sobre saúde. É uma mobilização importante, mas também é uma oportunidade para ir além das mensagens que se repetem todos os anos.
Falar sobre câncer de mama é falar sobre prevenção, fatores de risco, hábitos de vida, acompanhamento médico, rastreamento e, principalmente, acesso à informação confiável.
Porque cuidar não começa quando aparece um sinal. O cuidado começa muito antes.
Câncer de mama: informação também faz parte da prevenção
O câncer de mama não tem uma causa única. O desenvolvimento da doença está relacionado a uma combinação de fatores, que incluem idade, características hormonais e reprodutivas, fatores genéticos e hereditários, além de aspectos comportamentais e ambientais.
Alguns desses fatores não podem ser modificados. Outros, porém, estão relacionados ao estilo de vida e podem ser trabalhados ao longo dos anos.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), manter o peso corporal adequado, praticar atividade física, adotar uma alimentação saudável e evitar o consumo de bebidas alcoólicas são medidas que podem contribuir para a redução do risco de câncer de mama.
Isso não significa que hábitos saudáveis impeçam o surgimento da doença. Significa que o cuidado cotidiano pode fazer parte de uma estratégia mais ampla de prevenção.
E é justamente aí que a informação ganha importância: prevenção não é uma ação isolada. É um conjunto de escolhas e acompanhamentos que acontece ao longo da vida.
O toque é importante, mas não substitui a mamografia
Conhecer o próprio corpo é importante. A mulher deve estar atenta às suas mamas e procurar avaliação profissional diante de alterações que não sejam habituais.
Mas existe uma diferença importante entre perceber uma alteração e rastrear a doença antes que ela apresente sinais.
A mamografia pode identificar alterações suspeitas antes que elas possam ser percebidas pelo toque. Por isso, o autoexame não deve ser tratado como substituto da mamografia de rastreamento.
Entre os sinais que merecem avaliação estão nódulo persistente, alterações na pele da mama, retração do mamilo, mudanças no formato da mama ou saída espontânea de secreção pelo mamilo.
Perceber uma alteração não significa que ela seja câncer. Significa que merece ser investigada.
Quando fazer a mamografia?
Essa é uma informação especialmente importante porque a recomendação brasileira para o rastreamento mudou recentemente.
Desde 2025, o Ministério da Saúde orienta que o rastreamento mamográfico populacional no SUS seja realizado em mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos, faixa em que há evidências de benefício na redução da mortalidade por câncer de mama.
Isso não significa que mulheres fora dessa faixa não possam realizar o exame. O próprio Ministério da Saúde informa que o SUS não restringe o acesso à mamografia para mulheres de 40 a 49 anos ou acima de 74 anos que desejem realizá-la, desde que sejam orientadas por profissionais de saúde sobre os possíveis benefícios e riscos.
Além disso, mulheres com fatores que podem indicar maior risco devem conversar com um profissional de saúde para definir uma estratégia individualizada de acompanhamento.
Por isso, mais importante do que seguir uma regra genérica encontrada na internet é entender qual orientação se aplica ao seu perfil de risco e à sua faixa etária.
E o histórico familiar?
Ter alguém na família com câncer de mama não significa necessariamente que a doença será hereditária.
Os casos associados a fatores hereditários representam aproximadamente 5% a 10% dos cânceres. Entretanto, determinados históricos familiares podem indicar uma predisposição genética que merece investigação. Entre eles estão vários casos de câncer de mama na família, casos de câncer de ovário, diagnósticos em idade jovem ou câncer de mama em homens da família.
Nessas situações, o caminho não é simplesmente realizar um teste genético por conta própria. A avaliação deve considerar a história pessoal e familiar e, quando houver indicação, pode envolver aconselhamento e investigação genética.
Pequenas mudanças na rotina também fazem parte desse cuidado
Prevenção não precisa ser sinônimo de grandes mudanças.
Movimentar o corpo com regularidade, cuidar da alimentação, manter um peso adequado e evitar bebidas alcoólicas são medidas associadas à redução do risco de câncer de mama.
A atividade física, em particular, tem papel importante na prevenção de diferentes tipos de câncer. O INCA reforça que manter-se fisicamente ativo contribui para reduzir o risco de diversos tumores, incluindo o câncer de mama.
O tabagismo também merece atenção. Embora a relação específica entre tabaco e câncer de mama apresente evidências menos conclusivas do que em outros tipos de câncer, o tabagismo está relacionado a diversos cânceres e outros problemas de saúde. Por isso, não fumar continua sendo uma medida importante de proteção à saúde.
Diagnóstico precoce pode mudar a trajetória do tratamento
Existe uma diferença importante entre prevenção e detecção precoce. Prevenir significa reduzir fatores de risco e fortalecer fatores de proteção. Detectar precocemente significa identificar a doença em uma fase inicial, quando as possibilidades de tratamento podem ser maiores.
O INCA destaca que o diagnóstico precoce contribui para reduzir o estágio em que o câncer de mama é apresentado e pode favorecer um tratamento mais efetivo. O rastreamento por mamografia também tem como objetivo identificar alterações suspeitas antes do surgimento de sintomas.
Por isso, a mensagem do Outubro Rosa não deveria ser apenas “faça o exame”, mas sim: informe-se, conheça os fatores de risco, acompanhe sua saúde, faça os exames indicados para o seu perfil e procure atendimento diante de qualquer alteração suspeita.
O Outubro Rosa termina enquanto o cuidado continua
Campanhas de conscientização têm um papel importante porque ajudam a levar informação para mais pessoas, mas o cuidado com a saúde não precisa caber em um mês do calendário.
Ele está nas escolhas do dia a dia, nas consultas que não são adiadas, nos exames realizados quando indicados, na atenção aos sinais do corpo e também nas conversas que levamos para dentro de casa.
Falar sobre câncer de mama com informação correta pode ajudar alguém a reconhecer um risco, procurar atendimento ou simplesmente entender que o cuidado não precisa esperar por um sintoma.
Neste Outubro Rosa, o Clínica Experts entrou na conversa para reforçar uma ideia simples: cuidar da saúde é uma prática contínua. E informação de qualidade também faz parte desse cuidado.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação, orientação ou acompanhamento de profissionais de saúde.
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