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Clínica Experts

Jaqueline Vaz tinha tudo encaminhado. Carta de orientação assinada, professora confirmada, documentos enviados e aprovação obtida. O doutorado em ciências biológicas estava a um passo de começar e foi exatamente nesse momento que ela parou, olhou para dentro e decidiu não ir.
A professora orientadora, que poderia ter reagido mal, olhou para ela e disse o que ela precisava ouvir:
"Se até agora isso não te preencheu, a chance de dar errado no doutorado é ainda maior. Vai procurar o que te faz feliz."
No CliniTalks deste episódio, Jaque contou o que veio depois dessa decisão e como uma imagem que ela carregava na cabeça se tornou, passo a passo, o espaço onde ela trabalha hoje.
A biologia que chegou junto
A trajetória de Jaque na ciência foi uma base. Iniciação científica desde a graduação, bioquímica, microbiologia e produção enzimática com fungos: ela entendia profundamente que microrganismos são as maiores máquinas da biotecnologia. Ativos, fármacos, nutracêuticos, corantes: tudo passa por eles.
Quando a resolução de 2020 abriu espaço para biólogos atuarem na estética, ela foi a primeira turma da pós-graduação na sua cidade. Chegou com uma lei impressa na mão para mostrar que podia estar ali. A instituição não sabia bem o que fazer com ela, era a única bióloga numa sala de dentistas e enfermeiros.
O que ela descobriu dentro dessa sala foi revelador: em anatomia e bases fisiológicas, ela estava à frente. O conhecimento que parecia ser de outra área era, na verdade, exatamente o que a estética avançada precisava.
Estágio com quem fazia os olhos brilharem
Jaque não esperou terminar a pós para ir atrás da prática. Enquanto ainda estava cursando, procurou uma biomédica da sua cidade que ela já acompanhava, cujo conteúdo admirava e o trabalho a inspirava. Não tinha vaga de estagiária, mas a profissional estava procurando uma cabeleireira para ajudar na área de tricologia.
E foi assim que o estágio entregou o que nenhum ambiente controlado entrega: situações reais, imprevistos, intercorrências e o lado humano do atendimento que não tem livro que ensine.
Passos de formiguinha, sem pular etapa
A mentalidade que guiou cada movimento de Jaque foi a mesma do início ao fim: saber em qual degrau ela estava antes de tentar subir o próximo.
Enquanto estagiava, começou a atender alguns casos por fora, dividindo sala com a profissional que a havia acolhido. Porcentagem do faturamento e horários compartilhados, o arranjo era precário, mas era o que cabia naquele momento. E ela o respeitou.
A primeira sala própria veio quando ela percebeu que não conseguia mais dividir espaço. O CNPJ veio depois. Cada passo esperou o anterior estar sólido.
O dia que ela soube que era a hora
Jaque descreve o momento de abrir a clínica própria como algo que chegou com clareza. Ela havia saído de um dia ruim no espaço que dividia, olhou para a funcionária e disse: "Preciso ver uma sala."
Visitaram algumas opções no mesmo prédio onde hoje ela está. Quando entrou na que seria a sua, algo travou no lugar.
"A hora que eu entrei nessa sala, eu falei: é isso."
A vista estava lá, exatamente como ela havia imaginado.
O que acontece quando você abre a caixa
Ao abrir o CNPJ, Jaque descobriu rápido, não é glamoroso. O que estava dentro da caixa era uma lista de responsabilidades que nenhum curso de estética menciona: gestão financeira, redes sociais, criação de conteúdo, liderança de equipe e processo comercial.
Ela foi aprendendo cada coisa no seu tempo, sem terceirizar o que ainda não podia pagar. Aprendeu Canva quando não tinha quem fizesse os posts. Gravou os primeiros vídeos sozinha, sem equipe, sem roteiro. Começou a entender marketing estudando cursos baratos, depois contratou um editor, depois uma social media, depois um profissional de vendas.
"Primeiro aprendo a fazer do jeito mais difícil. Quando encontrar a ferramenta, vou dar muito mais valor a ela."
Foi quando chegou ao sistema de gestão que entendeu o que havia custado não ter um antes. Dados reunidos em um único lugar, relatórios que mostravam o que ela tinha que calcular na mão e CRM funcionando para o time de vendas que estava começando a estruturar.
Vendas como educação
Uma das decisões mais recentes de Jaque, e uma das que ela mais comemorou, foi montar um time de vendas. Algo que ela mesma duvidava que funcionasse para estética.
O que mudou foi a compreensão de que venda é educação. É pegar alguém num nível de consciência onde ele ainda não sabe que tem um problema, e mostrar que existe solução.
"A hora que você entende que tudo na vida é sobre isso, muda o game totalmente."
Ela passou a falar com a equipe sobre playbook, sobre alinhamento de discurso e sobre o papel de cada pessoa no processo.
O que ela diria para a Jaque de alguns anos atrás
Perto do final do episódio, foi questionada sobre a dica que ela daria para si mesma lá atrás, quando cancelou o doutorado e decidiu começar do zero numa área que não conhecia.
Três coisas, ela disse.
Educação financeira antes de qualquer coisa. Dinheiro faz dinheiro, e respeitar isso cedo poupa anos de retrabalho.
Essencialismo. Ela sempre gostou de tudo, quis dominar tudo, se dispersou em muitas frentes.
E a terceira, a mais difícil de colocar em palavras: seguir a intuição.
"Se você gosta muito daquilo que você faz, se você enxerga um propósito naquilo, vai ser muito difícil alguém ou algo te colocar para baixo."
A vista que ela visualizou existe e a maca está voltada para o pôr do sol. E chegou lá do único jeito que ela conhecia: um passo de formiguinha de cada vez.
Confira a entrevista completa no Spotify ou YouTube:
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