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Odontofobia, nome dado à fobia de dentista, é um fator que impacta diretamente a adesão, comparecimento e previsibilidade do plano de tratamento. Esse tipo de fobia costuma se manifestar como um ciclo de esquiva: o paciente adia consultas, chega em pior condição clínica, precisa de intervenções mais invasivas e sai com a crença reforçada de que ir ao dentista sempre dói. Para o consultório, isso vira retrabalho, faltas na agenda e baixa continuidade.
Medo, ansiedade e fobia
Segundo a cirurgiã-dentista Dra. Marly da Silva Rodrigues, em entrevista do CRO-SP, o maior desafio do profissional é diagnosticar e reconhecer se a ansiedade desse paciente é "ansiedade estado" ou "ansiedade traço".
A "ansiedade estado" é transitória e, a partir do momento em que a situação é esclarecida, o medo tende a desaparecer. A "ansiedade traço" é propriamente uma doença e está inserida nos quadros de transtorno de ansiedade estabelecidos pelo Manual Estatístico de Diagnósticos de Transtornos Mentais (DSM-5).
Os níveis da odontofobia costumam ser esses:
Desconforto leve
Ansiedade antecipatória
Medo intenso
Quadro fóbico com esquiva de atendimento
O que muda para o dentista não é apenas o quanto o paciente teme, mas o quanto esse medo interfere na tomada de decisão e no comparecimento.
No Brasil, por exemplo, 15% da população apresenta ansiedade antecipatória e 2% apresenta a odontofobia, especificamente. Quando expandimos o território podemos observar pesquisas em diversos países que trazem números similares.

O impacto operacional da odontofobia no consultório
Para a gestão clínica, isso sugere duas ações práticas: primeiro, uma triagem objetiva antes do agendamento de procedimentos mais longos e, segundo, um fluxo específico de primeira consulta para paciente ansioso, com tempo e abordagem alinhados à realidade do caso.
Como identificar a odontofobia cedo
A odontofobia costuma se revelar em padrões: cancelamento de última hora, resistência em marcar retorno, perguntas repetidas sobre dor/anestesia, necessidade de controle (“me avisa antes”, “se doer eu paro”), rigidez corporal e hipervigilância ao som/cheiros do consultório. Às vezes o sinal é o oposto: silêncio, concordância automática e simplesmente não aparecer nas próximas consultas sem dar notícias.
Passo a passo para ajudar o paciente a encarar o medo sem travar o atendimento
1) Previsibilidade: reduzir a incerteza antes de reduzir a dor
O primeiro ganho costuma vir de dividir a consulta em etapas curtas e de conversas que realmente esclarecem dúvidas. No atendimento de pacientes que sofrem de odontofobia, a sensação de não saber o que vai acontecer, muitas vezes, pesa mais do que o procedimento em si.
2) Controle: combinar um sinal de pausa e cumprir
Um acordo simples, com uma mão levantada como sinal de pausa, devolve autonomia, reduz sensação de aprisionamento e melhora a cooperação, já que o paciente se sente ouvido e respeitado.
3) Conforto: analgesia e manejo da ansiedade como parte do plano desde o início
E aqui não falamos apenas de sedação, apesar de essa ser uma das técnicas abordadas para deixar o paciente mais confortável durante o procedimento.
Porém, todos os detalhes contam: uma conversa leve e explicativa, não deixar objetos como brocas e pinças à vista, música ambiente relaxante e etapas do procedimento cumpridas conforme o planejado. São essas coisas simples que desde o início deixam o paciente mais à vontade.
Não tente resolver tudo de uma vez só
Para casos mais intensos, separar consulta de conhecimento da consulta de procedimento costuma aumentar retorno e continuidade.
Em vez de tentar resolver o plano inteiro no primeiro encontro, planeje esse primeiro momento para gerar confiança. Nele, você pode avaliar, fazer fotos, executar uma profilaxia simples e já marcar o próximo passo com duração e expectativas claras.
O desfecho que importa aqui é o paciente voltar.
Padronize em equipe e registre no prontuário
O paciente se sente mais seguro quando o consultório oferece consistência. Registre no prontuário:
Nível de ansiedade;
Gatilhos relatados (agulha, barulho, julgamento, sensação de sufoco);
O que funcionou (pausas, explicação por etapas, anestesia, música, sedação quando aplicável);
Como conduzir o próximo atendimento.
Esse registro economiza tempo, reduz desgaste da equipe e dá ao paciente a percepção de que na sua clínica realmente existe preocupação com a condição dele.
Quando necessário, indique terapia
Como muita vezes essa fobia está enraizada em um trauma de infância, o manejo no consultório pode não ser suficiente e o mais indicado é o encaminhamento do paciente para a terapia.
Abordagens multidisciplinares podem ser muito eficientes em identificar onde está o verdadeiro medo e fazer o paciente lidar melhor com essa condição.

A odontofobia não precisa ser um desafio
A fobia de ir ao dentista tende a diminuir quando o paciente percebe que o consultório tem método para manejar a ansiedade.
Quando você padroniza a triagem, ajusta tempo, combina sinais de controle, registra gatilhos no prontuário e treina a equipe para repetir o mesmo padrão de acolhimento, você transforma o atendimento e a percepção da qualidade do seu trabalho. Isso não só aumenta a chance de o paciente retornar e aceitar o plano com menos resistência, como também reduz faltas, encurta negociações e melhora a qualidade das sessões seguintes.
Em outras palavras: manejar a odontofobia é uma decisão estratégica porque melhora a adesão e consequentemente a saúde bucal do paciente, enquanto ao mesmo tempo otimiza a operação do consultório.
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