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“Realização vem de se sentir útil, não de quanta renda você gera”

“Realização vem de se sentir útil, não de quanta renda você gera”

Agnaldo Castro é cirurgião plástico, atua em reconstrução mamária e medicina estética e dá aula para outros profissionais na área de injetáveis.

Agnaldo Castro é cirurgião plástico, atua em reconstrução mamária e medicina estética e dá aula para outros profissionais na área de injetáveis.

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Agnaldo Castro

A carreira do Dr. Agnaldo Castro não começou com um chamado. Ele era bom em matemática e ciências, melhor ainda em biologia, e concluiu que faria algo na área da saúde. Como tinha boas notas no ensino médio, acabou escolhendo medicina.

“Eu não tinha aquela idealização de salvar vidas, de ser um super-herói. Minha vocação veio das matérias que eu estudava.”

A parte da estética, essa sim, veio de outro lugar. Ele conta que não tinha o corpo que queria quando criança e que, na adolescência, passou a frequentar academia, comprar suplemento escondido na farmácia e usar os cremes das primas no rosto. Juntando o cuidado consigo mesmo à medicina, a cirurgia plástica apareceu naturalmente.

O choque da residência

A faculdade, na Universidade Federal da Bahia, foi tranquila. Ficava a dez minutos de casa, e em alguns intervalos ele almoçava com a família ou dava um mergulho no Porto da Barra antes de voltar para os estudos. A residência em cirurgia geral e plástica, na Universidade Federal de São Paulo, foi outra história.

“Foi um choque. Não tinha mar, não tinha Porto da Barra, não tinha a comida da minha mãe.”

Além da mudança de cidade, veio a frustração com o conteúdo. Ele não gostava de cirurgia geral e imaginava que a plástica seria mais fácil, já que era o que queria. Encontrou fraturas crânio-maxilofaciais, queimados e toda a cirurgia reconstrutiva, uma área que ele mal conhecia, porque nunca tinha estudado plástica a fundo antes de entrar.

Na universidade, ainda ouvia comentários sobre a escolha.

“As pessoas me diziam: você é tão inteligente e vai fazer plástica, que desperdício.”

O propósito veio de onde ele não esperava

Formado, Agnaldo pensava em seguir pela estética. Uma amiga o alertou que ele não tinha pai médico, mãe médica, nem rede de contatos em São Paulo, e que precisaria de um fellowship para construir isso. Das cirurgias mais comuns da época, a de mama era a única com treinamento disponível. Foi assim, por cálculo, que ele entrou na reconstrução mamária.

A virada veio com a prática. Repetindo a mesma cirurgia, ele passou a se sentir bom no que fazia, a curva de aprendizado melhorou e começaram a chegar os retornos das pacientes. Foi aí que encontrou um sentido que a estética não dava.

“Ninguém quer fazer uma mastectomia. Abdominoplastia a pessoa procura.”

Quando terminou o fellowship, abriu uma vaga no IBCC, e ele ficou. Anos depois, durante uma mentoria de gestão, o consultor sugeriu um plano de carreira para que ele deixasse a reconstrução e focasse na cirurgia particular de alto ticket. Agnaldo não comprou a mentoria.

“Quem disse que eu quero sair?”

O que a faculdade não ensina

Entre a formatura e o consultório, houve três meses de pausa. 

“Eu nem sabia direito o que era PJ e pensava: meu Deus, o que eu vou fazer da minha vida?”

Abriu empresa, montou o consultório e foi aprendendo aos poucos. Contratou uma secretária em 2020, a mesma até hoje, e lembra que no começo a orientação era simplesmente responder mensagens, sem nenhum protocolo. 

Um campo minado

Sobre a demanda crescente por procedimentos estéticos, Agnaldo é direto: é preciso enxergar o sinal de alerta. Ele cita pacientes que chegam dizendo que o marido pediu, ou que querem o nariz de alguém específico, e lembra que alguns cirurgiões chegam a exigir avaliação psicológica antes da cirurgia.

“A gente precisa entender quem quer ser a melhor versão de si e quem está escondendo um divórcio atrás de um procedimento estético.”

A possibilidade de recusar vem de uma escolha estrutural. Ele divide a rotina entre consultório, reconstrução, aulas e mercado corporativo, seguindo um conselho que recebeu ainda no começo: quem depende só do consultório para a própria renda acaba cedendo a pedidos com os quais não concorda. 

Sobre concorrência

A plástica vem sendo dividida com outras especialidades, e há quem se preocupe com isso. Ele não.

“Pode ter mais profissionais fazendo, mas 100% das pessoas vão envelhecer.”

Ele também não acredita em disputa direta por paciente, porque entende que a escolha passa por identificação e vínculo, não por preço.

“O que é meu ninguém tira, e o que é dos outros eu também não tiro.”

Onde ele vê espaço é nos mercados que quase ninguém disputa: o público masculino, que cresce na faixa dos 35 aos 45 anos, e o atendimento a pacientes mais velhos. Segundo ele, muita gente trava no medo de não dar certo e acaba brigando no mercado mais concorrido.


Confira a entrevista completa no Spotify ou no YouTube:

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